Trilha Política · curso 5 de 5
Geopolítica
Território, poder e Estados no sistema internacional
Da geopolítica clássica ao mundo contemporâneo: imperialismo, sistema-mundo, desenvolvimento e dependência, Guerra Fria, globalização e hegemonia. O curso apresenta as principais leituras em debate — realistas, liberais, institucionalistas, cepalinas e críticas — com autores de universidades como USP, UnB, UFRJ, FGV, Harvard, Chicago, MIT, Columbia e Oxford.
6 unidades · 24 lições · tudo liberado

Unidade 1
Geopolítica clássica e seus críticos
Ratzel, Mahan, Mackinder e Spykman: como pensaram o poder mundial, como foram usados e como são lidos hoje.
- O que é geopolítica?
- Mar ou terra? Mahan e Mackinder
- Spykman e a Guerra Fria
- Usos e críticas da geopolítica
Caderno de estudos da unidade 1
Caderno de estudos: geopolítica clássica
Geopolítica é o estudo das relações entre espaço geográfico e poder. O termo foi criado pelo sueco Rudolf Kjellén, no fim do século XIX, mas as bases vêm do alemão Friedrich Ratzel, autor de Geografia Política (1897). Ratzel via o Estado como um organismo ligado ao solo e falava em espaço vital (Lebensraum).
Três nomes ajudam a ver o mundo como um tabuleiro:
- Alfred Mahan (EUA): quem controla os mares controla o comércio e o poder (The Influence of Sea Power upon History, 1890).
- Halford Mackinder (Reino Unido): em 1904 apresentou a tese do pivô geográfico — o interior da Eurásia, inalcançável para as marinhas, seria a área decisiva do poder mundial (mais tarde chamada de Heartland).
- Nicholas Spykman (Yale): destacou as bordas da Eurásia (Rimland), ideia associada à política de contenção da URSS na Guerra Fria.
Usos e leituras
Na Alemanha, a escola de Karl Haushofer foi associada ao expansionismo nazista, o que desacreditou o termo por décadas.
- Segundo Wanderley Messias da Costa (USP), a geopolítica clássica nasceu como saber a serviço dos Estados e de seus projetos de expansão; ele critica o determinismo geográfico, a ideia de que o meio físico decide o destino dos povos. Autores da tradição do materialismo histórico acrescentam que o "interesse nacional" pode expressar interesses de grupos sociais específicos.
- Para realistas como John Mearsheimer (Chicago), a geografia continua relevante: grandes massas de água limitam a projeção de exércitos (o "poder de contenção da água").
- Henry Kissinger, em Ordem mundial, descreve a ordem internacional como combinação de equilíbrio de poder e legitimidade.
Palavras-chave: espaço vital, poder marítimo, Heartland, Rimland, determinismo geográfico, realismo.
Unidade 2
Imperialismo: teorias e debates
Da partilha da África ao debate contemporâneo: Hobsbawm, Hilferding, Lenin, Rosa Luxemburgo, Schumpeter e Harvey.
- A era dos impérios
- Lenin: a fase monopolista
- Luxemburgo, Schumpeter e leituras rivais
- O novo imperialismo em debate
Caderno de estudos da unidade 2
Caderno de estudos: imperialismo
Entre 1875 e 1914, um pequeno grupo de potências europeias (e depois EUA e Japão) dividiu boa parte do planeta em colônias e áreas de influência. O historiador britânico Eric Hobsbawm chamou esse período de era dos impérios e o relacionou à expansão da economia capitalista. A Conferência de Berlim (1884-1885) é símbolo da partilha da África.
Teorias que ligam imperialismo e capitalismo
No início do século XX, teóricos socialistas tentaram explicar essa expansão (ver a revisão de Leonardo Leite, em Economia e Sociedade, Unicamp):
- Rudolf Hilferding: o capital financeiro, fusão do capital bancário com o industrial.
- Rosa Luxemburgo (A acumulação do capital, 1913): o capitalismo precisaria de espaços não capitalistas para se expandir.
- Lenin (Imperialismo, fase superior do capitalismo, 1916): o imperialismo seria a fase monopolista do capitalismo, com monopólios, capital financeiro, exportação de capitais, cartéis internacionais e partilha territorial do mundo.
Uma leitura rival
O economista Joseph Schumpeter (ensaio de 1919) inverteu o argumento: para ele, o imperialismo seria um atavismo, herança de estruturas pré-capitalistas (aristocracias guerreiras, Estados absolutistas). Um capitalismo voltado ao comércio tenderia, em sua visão, a ser pacífico.
O "novo imperialismo"
David Harvey (CUNY) retoma Rosa Luxemburgo e a ideia de acumulação primitiva. O que ele chama de acumulação por espoliação inclui privatizações, cercamento de bens comuns, expropriação de terras e manobras financeiras. Harvey interpreta a disputa pelo petróleo e a guerra do Iraque (2003) por essa lente. Leite mostra que nem mesmo entre os autores críticos há uma teoria única do imperialismo contemporâneo.
Unidade 3
Centro e periferia: explicações do desenvolvimento
Sistema-mundo (Wallerstein, Arrighi), CEPAL (Prebisch) e as explicações rivais: modernização (Rostow) e instituições (North, Acemoglu e Robinson).
Caderno de estudos da unidade 3
Caderno de estudos: por que há países ricos e pobres?
Wallerstein: uma só economia-mundo
Para Immanuel Wallerstein, não dá para estudar países isolados. Desde o "longo século XVI" existiria uma economia-mundo capitalista, com uma divisão internacional do trabalho em três zonas: centro (produção mais lucrativa, salários mais altos, Estados fortes), periferia (produção menos lucrativa, trabalho mais barato) e semiperiferia (zona intermediária).
Arrighi: ciclos de hegemonia
Giovanni Arrighi, em O longo século XX, descreve ciclos sistêmicos de acumulação liderados por Gênova, Holanda, Grã-Bretanha e EUA. Cada ciclo teria uma fase de expansão material e outra de expansão financeira, que ele interpreta como sinal do "outono" de uma hegemonia.
CEPAL e Prebisch
Em 1949, o argentino Raúl Prebisch, da CEPAL (criada pela ONU em 1948), argumentou que a economia mundial se divide em centro industrial e periferia exportadora de bens primários, com deterioração dos termos de troca. Sua proposta: industrialização com apoio do Estado.
Explicações rivais
- Teoria da modernização. W. W. Rostow (MIT), em As etapas do crescimento econômico (1960), descreve cinco etapas, da sociedade tradicional ao consumo de massa: países pobres estariam em etapas anteriores do mesmo caminho.
- Institucionalismo. Para Douglass North (Nobel, 1993), as instituições — as "regras do jogo" — explicam o desempenho das economias. Daron Acemoglu e James Robinson (MIT/Chicago; Nobel de Economia de 2024, com Simon Johnson) distinguem instituições inclusivas (direitos de propriedade amplos, poder distribuído) e extrativistas (poder e riqueza concentrados) e as colocam no centro da explicação.
Wallerstein e Prebisch enfatizam a estrutura do sistema internacional; Rostow, as etapas internas; North, Acemoglu e Robinson, as instituições de cada país.
Unidade 4
Dependência, desenvolvimento e Guerra Fria
As vertentes da teoria da dependência, seus críticos e o papel dos EUA no golpe de 1964.
Caderno de estudos da unidade 4
Caderno de estudos: dependência e Guerra Fria
As vertentes da teoria da dependência
Nos anos 1960 e 1970, autores latino-americanos discutiram por que a região não alcançava os países industrializados.
- Para Theotonio dos Santos (1970), dependência é a situação em que a economia de certos países é condicionada pelo desenvolvimento e pela expansão de outra economia à qual está subordinada.
- Ruy Mauro Marini (Dialética da dependência, 1973) formulou a vertente crítica. Para ele, a transferência de valor ao centro seria compensada pela superexploração da força de trabalho: jornadas mais longas, trabalho mais intenso e salários abaixo do necessário. Marini, Dos Santos e Vânia Bambirra lecionavam na UnB e foram para o exílio após 1964.
- Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto (Dependência e desenvolvimento na América Latina, 1969/1970) sustentaram que a periferia podia industrializar-se e crescer em associação com o capital estrangeiro — o desenvolvimento dependente-associado. Em 1978-79, Cardoso e José Serra criticaram a tese da superexploração; Marini respondeu em As razões do neodesenvolvimentismo. Para Bresser-Pereira (2010), a teoria se dividiu em três interpretações: superexploração, dependência associada e nacional-dependente.
- Fora desse debate, Acemoglu e Robinson atribuem as trajetórias latino-americanas sobretudo a instituições extrativistas herdadas da colonização.
Guerra Fria e 1964
Em 31 de março e 1º de abril de 1964, militares, com apoio de setores civis, depuseram o presidente João Goulart. A Comissão Nacional da Verdade (2014) e a maior parte da historiografia chamam o episódio de golpe de 1964; seus apoiadores o chamavam de "Revolução de 1964". Carlos Fico (UFRJ) faz um balanço das correntes da historiografia sobre o golpe na Revista Brasileira de História (2004).
O historiador Carlos Fico (UFRJ), com base em documentos dos Arquivos Nacionais dos EUA, mostrou que o governo norte-americano apoiou a deposição de Goulart. A Operação Brother Sam previa uma força-tarefa naval com armas, munição e combustível caso houvesse oposição armada. Como Goulart não reagiu militarmente, ela foi desmobilizada.
Unidade 5
Globalização, hegemonia e potências emergentes
Leituras da globalização, o poder dos EUA, a ascensão da China, o BRICS e a política externa brasileira.
Caderno de estudos da unidade 5
Caderno de estudos: o mundo de hoje
Globalização: leituras em debate
- O geógrafo Milton Santos (USP), em Por uma outra globalização (2000), descreve a globalização como fábula (o mundo "sem fronteiras" do discurso), perversidade (desemprego e a "tirania do dinheiro e da informação") e possibilidade (uma outra globalização a partir do território).
- O economista Jagdish Bhagwati (Columbia), em In Defense of Globalization (2004), sustenta que a globalização, bem regulada, é uma força positiva, que pode reduzir o trabalho infantil e ampliar a alfabetização.
O poder dos EUA
- Maria da Conceição Tavares (UFRJ/Unicamp) argumentou em 1985 que os EUA retomaram a hegemonia com a alta dos juros a partir de 1979 e o dólar como moeda central.
- Joseph Nye (Harvard) destaca o soft power: a capacidade de obter resultados pela atração (cultura, valores, políticas), e não só pela coerção ou pagamento.
- Henry Kissinger discute como manter uma ordem mundial com potências de culturas políticas diferentes.
China e BRICS
A China iniciou reformas de mercado em 1978; Barry Naughton descreve essa transição e o rápido crescimento que se seguiu. Isabela Nogueira (UFRJ) analisa como o Partido-Estado regula a formação de uma classe capitalista doméstica. Para o realista John Mearsheimer, uma China mais rica tenderia a buscar a hegemonia na Ásia, gerando competição de segurança com os EUA.
O BRIC nasceu como sigla de um relatório do banco Goldman Sachs (2001) e virou grupo político: primeira cúpula em 2009, entrada da África do Sul em 2011 e acordo do Novo Banco de Desenvolvimento em 2014, como narra Oliver Stuenkel (FGV) e registram os documentos reunidos pela FUNAG. Em 2024 entraram Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos; a Arábia Saudita foi convidada e participa dos encontros, mas não formalizou a adesão plena. Em 2025 entrou a Indonésia, e a cúpula de Kazan (2024) criou a categoria de países parceiros. Na cúpula de Nova Délhi (setembro de 2026), o grupo era descrito com 11 integrantes e 10 parceiros (Agência Brasil).
O Brasil no mundo
O chanceler Celso Amorim (2003-2010) destaca, em balanço próprio, o G-20 da OMC (Cancún, 2003), a cooperação Sul-Sul e a Declaração de Teerã (maio de 2010). Em junho de 2010, o Conselho de Segurança da ONU aprovou novas sanções ao Irã (Resolução 1929), com votos contrários de Brasil e Turquia.
Unidade 6
Recursos naturais, energia e poder
Água, petróleo e minerais: escassez ou cooperação? OPEP e segurança energética, a "maldição dos recursos" e a transição energética em debate.
- Escassez leva à guerra?
- Petróleo, OPEP e segurança energética
- A "maldição dos recursos" em debate
- Transição energética e minerais críticos
Caderno de estudos da unidade 6
Caderno de estudos: recursos naturais, energia e poder
Recursos como água, petróleo e minerais moldam a política internacional — mas o modo como o fazem é debatido.
Escassez, conflito e cooperação
- Thomas Homer-Dixon (Environment, Scarcity, and Violence, 1999): a escassez de recursos renováveis pode alimentar violência, sobretudo dentro de países em desenvolvimento, junto de fatores sociais e políticos; não é causa necessária nem suficiente.
- Michael Klare (Resource Wars, 2001): petróleo, água e minerais ganham peso nos conflitos do século XXI.
- Aaron Wolf (Oregon State): no século XX foram assinados 145 tratados sobre águas compartilhadas; interesses comuns tenderiam a pesar mais que a disputa. Exemplo regional: o Acordo sobre o Aquífero Guarani (2010), entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Petróleo
Segundo Daniel Yergin (The Prize, 1991), a disputa pelo petróleo moldou empresas, alianças e guerras. A OPEP foi fundada em Bagdá, em 1960, por cinco países produtores. O embargo de 1973–1974 combinou proibição de exportações e cortes de produção; o preço do barril primeiro dobrou e depois quadruplicou (Departamento de Estado dos EUA).
A "maldição dos recursos"
- Sachs e Warner (1995): exportadores de recursos em 1971 tenderam a crescer menos até 1989.
- Michael Ross (The Oil Curse, 2012): petróleo associado a menos democracia e mais guerras civis, sobretudo em países pobres.
- Brunnschweiler e Bulte (2008): a abundância teria efeito positivo no crescimento; a dependência, nenhum.
Transição energética
A AIE (2021) alerta para a oferta de minerais críticos (lítio, cobalto, níquel, cobre, terras raras). Indra Øverland (2019) argumenta que as renováveis são mais bem distribuídas e geram menos gargalos que o petróleo.
O Brasil
Segundo a EPE (BEN 2026), 49,4% da oferta interna de energia do Brasil veio de fontes renováveis em 2025, contra 14,5% no mundo (2023, dados da AIE); na matriz elétrica, foram 86,8%. O país também é grande produtor de petróleo: em 2025, o governo autorizou a adesão à Carta de Cooperação ligada à OPEP, fórum que, segundo o Ministério de Minas e Energia, não gera obrigações vinculantes; ambientalistas criticaram a decisão. Um texto do Ipea (2010) já discutia os ônus e bônus de uma aproximação do Brasil do pré-sal com a OPEP.
Palavras-chave: escassez, águas transfronteiriças, OPEP, embargo, maldição dos recursos, minerais críticos, transição energética.
Fontes do curso
Ver as 52 fontes
- Halford J. Mackinder (1904). The Geographical Pivot of History. The Geographical Journal, v. 23, n. 4, p. 421-437 (Royal Geographical Society) · Artigo
Texto fundador da teoria do 'pivô'/Heartland; lido como fonte primária da geopolítica clássica. - Wanderley Messias da Costa (1992). Geografia política e geopolítica: discursos sobre o território e o poder. Edusp · Livro
Principal manual brasileiro sobre a história da geopolítica (Ratzel, Kjellén, Mahan, Mackinder, Haushofer, Spykman) e sua crítica. - Eric J. Hobsbawm (1988). A era dos impérios: 1875-1914. Paz e Terra (trad. Sieni Maria Campos e Yolanda Steidel de Toledo) · Livro
Síntese histórica da expansão colonial de 1875 a 1914, escrita por historiador da tradição do materialismo histórico. - Leonardo de Magalhães Leite (2014). Sobre as teorias do imperialismo contemporâneo: uma leitura crítica. Economia e Sociedade, v. 23, n. 2, p. 507-534 · Artigo
Revisão das teorias críticas do imperialismo, dos clássicos (Hilferding, Luxemburgo, Lenin) a Harvey, e de suas divergências. - David Harvey (2004). O novo imperialismo. Edições Loyola (trad. Adail Sobral e Maria Stela Gonçalves); orig. Oxford University Press, 2003 · Livro
Representa a leitura crítica contemporânea: formula o conceito de acumulação por espoliação e analisa petróleo e poder dos EUA. - Immanuel Wallerstein (1974). The Rise and Future Demise of the World Capitalist System: Concepts for Comparative Analysis. Comparative Studies in Society and History, v. 16, n. 4, p. 387-415 (Cambridge University Press) · Artigo
Artigo-síntese da análise do sistema-mundo: centro, semiperiferia e periferia. - Giovanni Arrighi (1996). O longo século XX: dinheiro, poder e as origens de nosso tempo. Contraponto; Editora Unesp (trad. Vera Ribeiro) · Livro
Teoria dos ciclos sistêmicos de acumulação e das hegemonias (Gênova, Holanda, Grã-Bretanha, EUA). - Raúl Prebisch (1949). O desenvolvimento econômico da América Latina e seus principais problemas. Revista Brasileira de Economia, v. 3, n. 3 · Artigo
O 'manifesto' da CEPAL: relação centro-periferia e deterioração dos termos de troca. - Theotonio dos Santos (1970). The Structure of Dependence. American Economic Review, v. 60, n. 2, p. 231-236 · Artigo
Definição clássica de dependência, citadíssima na literatura internacional. - Ruy Mauro Marini; Emir Sader (org.) (2000). Dialética da dependência: uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini. Vozes · Livro
Representa a vertente crítica da teoria da dependência: o ensaio Dialética da dependência (1973) e a resposta de Marini a Cardoso e Serra. - Maria da Conceição Tavares (1985). A retomada da hegemonia norte-americana. Revista de Economia Política, v. 5, n. 2 · Artigo
Clássico brasileiro sobre o papel do dólar e dos juros na reafirmação da hegemonia dos EUA após 1979. - Carlos Fico (2008). O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. O governo dos Estados Unidos e a ditadura militar brasileira. Civilização Brasileira (Grupo Record) · Livro
Pesquisa em documentos dos Arquivos Nacionais dos EUA sobre o apoio norte-americano ao golpe de 1964. - Milton Santos (2000). Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Record · Livro
Leitura crítica da globalização (fábula, perversidade e possibilidade), a partir do território. - Celso Amorim (2010). Brazilian foreign policy under President Lula (2003-2010): an overview. Revista Brasileira de Política Internacional, v. 53, n. esp., p. 214-240 · Artigo
Balanço da política externa de 2003-2010 feito pelo próprio chanceler (fonte primária, não análise neutra). - Oliver Stuenkel (2015). The BRICS and the Future of Global Order. Lexington Books · Livro
Leitura liberal-institucionalista do BRICS, da sigla de 2001 à institucionalização (cúpulas, Novo Banco de Desenvolvimento). - Isabela Nogueira (2018). Estado e capital em uma China com classes. Revista de Economia Contemporânea, v. 22, n. 1, e182211 · Artigo
Leitura de economia política crítica: como o Partido-Estado chinês forma e regula uma classe capitalista doméstica. - Fernando Henrique Cardoso; José Serra (1979). As desventuras da dialética da dependência. Estudos Cebrap, n. 23, p. 33-80 (versão em espanhol: Revista Mexicana de Sociología, 1978) · Artigo
Principal crítica à teoria da dependência de Marini; apresenta a tese do desenvolvimento dependente-associado. - Henry Kissinger (2015). Ordem mundial. Objetiva (trad. Cláudio Figueiredo; orig. World Order, Penguin Press, 2014) · Livro
Visão realista clássica: a ordem internacional como combinação de equilíbrio de poder e legitimidade, a partir do sistema de Vestfália. - John J. Mearsheimer (2001). The Tragedy of Great Power Politics. W. W. Norton · Livro
Formula o realismo ofensivo: em um sistema sem autoridade central, grandes potências competem por poder; a geografia (o "poder de contenção da água") pesa. - Joseph A. Schumpeter (1951). Imperialism and Social Classes. Augustus M. Kelley (trad. Heinz Norden; ensaio original "Zur Soziologie der Imperialismen", 1919) · Livro
Contraponto liberal às teorias críticas: o imperialismo como atavismo herdado de estruturas pré-capitalistas, não como produto necessário do capitalismo. - W. W. Rostow (1960). The Stages of Economic Growth: A Non-Communist Manifesto. Cambridge University Press · Livro
Texto clássico da teoria da modernização: as cinco etapas do crescimento econômico. - Douglass C. North (1990). Institutions, Institutional Change and Economic Performance. Cambridge University Press · Livro
Base da explicação institucionalista do desenvolvimento: instituições como "regras do jogo" que moldam o desempenho econômico. - Daron Acemoglu; James A. Robinson (2012). Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza. Elsevier/Campus (trad. Cristiana Serra; orig. Why Nations Fail, Crown, 2012) · Livro
Explicação institucionalista: instituições inclusivas ou extrativistas, e não geografia ou cultura, explicariam a riqueza e a pobreza das nações. - Fernando Henrique Cardoso; Enzo Faletto (1970). Dependência e desenvolvimento na América Latina: ensaio de interpretação sociológica. Zahar (orig. Siglo XXI, México, 1969) · Livro
Vertente da teoria da dependência que admite desenvolvimento na periferia em associação com o capital estrangeiro. - Comissão Nacional da Verdade (2014). Relatório da Comissão Nacional da Verdade (3 volumes). CNV (Lei 12.528/2011) · Documento oficial
Documento oficial do Estado brasileiro sobre violações de direitos humanos entre 1946 e 1988; usa o termo "golpe de 1964". - Jagdish Bhagwati (2004). In Defense of Globalization. Oxford University Press · Livro
Defesa liberal da globalização: bem regulada, seria uma força positiva para o crescimento e para indicadores sociais. - Joseph S. Nye Jr. (2004). Soft Power: The Means to Success in World Politics. PublicAffairs · Livro
Leitura liberal do poder americano: além da força militar e econômica (hard power), a capacidade de atração (soft power). - Barry Naughton (2007). The Chinese Economy: Transitions and Growth. MIT Press · Livro
Manual de referência sobre a economia chinesa desde 1949, com ênfase nas reformas de mercado iniciadas em 1978. - Conselho de Segurança das Nações Unidas (2010). Resolução 1929 (2010) e nota de imprensa SC/9948. Organização das Nações Unidas · Documento oficial
Registro oficial da votação das sanções ao Irã (12 a 2, com 1 abstenção), com os votos contrários de Brasil e Turquia. - Michael T. Klare (2001). Resource Wars: The New Landscape of Global Conflict. Metropolitan Books · Livro
Tese de que a disputa por petróleo, água e minerais ganha peso nos conflitos do século XXI; leitura em debate. - Thomas F. Homer-Dixon (1999). Environment, Scarcity, and Violence. Princeton University Press · Livro
Escassez de recursos renováveis como fator que pode alimentar violência, sem ser causa necessária nem suficiente. - Aaron T. Wolf (1998). Conflict and cooperation along international waterways. Water Policy, v. 1, n. 2, p. 251-265 · Artigo
Contraponto à tese das 'guerras da água': 145 tratados sobre águas compartilhadas no século XX e peso dos interesses comuns. - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (2010). Acordo sobre o Aquífero Guarani (San Juan, 2 ago. 2010), aprovado pelo Decreto Legislativo nº 52/2017. Câmara dos Deputados (Legislação Informatizada) · Documento oficial
Exemplo regional de gestão compartilhada de um recurso hídrico transfronteiriço. - Daniel Yergin (1991). The Prize: The Epic Quest for Oil, Money, and Power. Simon & Schuster · Livro
História do petróleo e de seu papel na política internacional ao longo do século XX. - Daniel Yergin (2020). The New Map: Energy, Climate, and the Clash of Nations. Penguin Press · Livro
Efeitos do xisto e da transição energética sobre o mapa do poder. - Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) (2021). Comunicado de imprensa de 14 set. 2021 sobre a fundação da organização, em Bagdá, em 1960. OPEP · Documento oficial
Registro da organização sobre sua fundação em Bagdá por cinco países produtores. - Office of the Historian, Departamento de Estado dos EUA. Oil Embargo, 1973-1974. history.state.gov (Milestones: 1969-1976) · Documento oficial
Resumo oficial do embargo de 1973-1974: proibição de exportações, cortes de produção e alta de preços em duas etapas. - Jeffrey D. Sachs; Andrew M. Warner (1995). Natural Resource Abundance and Economic Growth. NBER Working Paper 5398 · Artigo
Países com alta razão exportações de recursos/PIB em 1971 cresceram menos em 1971-1989. - Michael L. Ross (2012). The Oil Curse: How Petroleum Wealth Shapes the Development of Nations. Princeton University Press · Livro
Petróleo associado a menos democracia e mais guerras civis, sobretudo em países mais pobres (URL: resenha na Nature). - Christa N. Brunnschweiler; Erwin H. Bulte (2008). The resource curse revisited and revised: a tale of paradoxes and red herrings. Journal of Environmental Economics and Management, v. 55, n. 3, p. 248-264 · Artigo
Contraponto à maldição dos recursos: abundância com efeito positivo no crescimento; dependência sem efeito. - Agência Internacional de Energia (AIE) (2021). The Role of Critical Minerals in Clean Energy Transitions. World Energy Outlook Special Report, maio de 2021 · Documento oficial
Análise da dependência da energia limpa de lítio, cobalto, níquel, cobre e terras raras. - Indra Øverland (2019). The geopolitics of renewable energy: debunking four emerging myths. Energy Research & Social Science · Artigo
Argumento de que renováveis são mais bem distribuídas e geram menos gargalos estratégicos que o petróleo e o gás. - Higor Ferreira Brigola; Vinicius Modolo Teixeira (2022). A influência de Nicholas Spykman nas relações contemporâneas entre EUA e Rússia: uma análise sobre a importância geopolítica da Ucrânia. Revista de Geopolítica, v. 13, n. 3, p. 1-19 · Artigo
Artigo de pesquisadores de universidades públicas (Unicamp/UNEMAT) que confirma Spykman em Yale, o Rimland como resposta ao Heartland de Mackinder (1942/1944) e sua influência na estratégia de contenção da URSS. - Helton Ricardo Ouriques (2012). A ascensão do Leste Asiático: uma síntese sobre a interpretação de Giovanni Arrighi. Teoria & Pesquisa: Revista de Ciência Política (UFSCar), v. 20, n. 2 · Artigo
Síntese, por professor da UFSC, dos quatro ciclos sistêmicos de acumulação de Arrighi (genovês, holandês, britânico e norte-americano) e de suas fases de expansão material e financeira. - Luiz Carlos Bresser-Pereira (2010). As três interpretações da dependência. Perspectivas: Revista de Ciências Sociais (Unesp), v. 38, p. 17-48 · Artigo
Classifica a teoria da dependência em três interpretações (superexploração, dependência associada e nacional-dependente) e critica a da dependência associada; usado como terceira leitura do debate, sempre atribuída ao autor. - Carlos Fico (2004). Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, v. 24, n. 47, p. 29-60 · Artigo
Balanço historiográfico (SciELO) das principais correntes sobre o golpe de 1964; registra o uso de "Revolução" pelos militares e as explicações concorrentes, inclusive sobre o papel dos EUA. - Renato Baumann; Flávio Damico; Adriana Erthal Abdenur; Maiara Folly; Carlos Márcio Cozendey; Renato G. Flôres Jr. (2015). BRICS: estudos e documentos. FUNAG · Livro
Livro gratuito da FUNAG com a cronologia e os documentos oficiais do grupo: relatório da Goldman Sachs (2001), cúpula de Ecaterimburgo (16/6/2009), entrada da África do Sul (2011) e acordo do Novo Banco de Desenvolvimento (Fortaleza, 15/7/2014). - Bruno de Freitas Moura (Agência Brasil) (2025). Entenda o que é o Brics, grupo que se reúne a partir de domingo no Rio. Agência Brasil (EBC) · Documento oficial
Composição do BRICS em 2025: 11 países-membros e 10 países-parceiros; ampliação de 2024 (Egito, Etiópia, Irã, Emirados e, segundo a matéria, Arábia Saudita), entrada da Indonésia (2025) e criação da categoria de parceiro em Kazan (2024). - Pedro Peduzzi (Agência Brasil) (2026). Brics: declaração final reforça defesa de reforma da governança global. Agência Brasil (EBC) · Documento oficial
Registro da 18ª Cúpula (Nova Délhi, set. 2026), que lista os 11 integrantes do grupo; matéria da mesma agência (10/9/2026) registra que a Arábia Saudita não aceitou a adesão plena. - Empresa de Pesquisa Energética (EPE) (2026). Balanço Energético Nacional 2026: Relatório Síntese, ano-base 2025. EPE / Ministério de Minas e Energia · Documento oficial
Dado oficial: em 2025, 49,4% da oferta interna de energia do Brasil veio de fontes renováveis (mundo: 14,5% em 2023, dados da AIE; OCDE: 13,8% em 2024); renováveis foram 86,8% da matriz elétrica. - Pedro Peduzzi (Agência Brasil) (2025). CNPE autoriza participação brasileira em fórum ligado à Opep. Agência Brasil (EBC) · Documento oficial
Registra a autorização do CNPE (18/2/2025) para a participação do Brasil na Carta de Cooperação entre países produtores ligada à OPEP, sem obrigação vinculante segundo o ministro, e a crítica de ambientalistas (Greenpeace). - Pedro Silva Barros; Luiz Fernando Sanná Pinto (2010). O Brasil do pré-sal e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Boletim de Economia e Política Internacional (BEPI), n. 4 · Artigo
Texto do Ipea que discute como o pré-sal colocou em debate uma aproximação do Brasil com a OPEP e os ônus e bônus dessa inserção internacional.
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